Violência contra mulheres aumenta nos EUA em período de isolamento social

Por Fernando Brito 22/05/2020 - 16:19 hs

O isolamento que reduz a disseminação do novo coronavírus ressalta problemas sociais graves. Nos últimos dois meses, a violência doméstica chegou a triplicar em países que aderiram o distanciamento social, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Isoladas em casa com agressores, as mulheres estão sofrendo ainda mais abusos. Em meio a pandemia do novo coronavírus, os atendimentos da Linha Nacional de Violência Doméstica dos Estados Unidos cresceram 12% de março a maio. 

No entanto, algumas organizações que apoiam vítimas da violência dizem que o real impacto do confinamento só deve ser amplamente conhecido com o relaxamento das medidas que llimitam a movimentação de pessoas já que, durante o período em que estiveram próximas dos agressores, muitas mulheres não conseguiram pedir socorro.

No território americano, o problema é agravado pelo funcionamento parcial da justiça durante o surto, segundo a advogada Michelle Viana, que atende brasileiras em situação de risco. 

"Houve um aumento drástico e várias pessoas estão pedindo ajuda, mas não estão efetivamente buscando ajuda", diz Michelle. "O fato também de que as cortes estão fechadas ou funcionando em horários emergenciais dificulta."

Há sete anos, Fabiana Costa veio morar com o namorado nos Estados Unidos. Pouco tempo depois percebeu um comportamento controlador partindo dele, mas achou que se tratava apenas de diferença cultural. Até que ele a agrediu com socos, pontapés e tentou enforcá-la com um cabo de carregador de celular.