EUA compram todas as doses previstas para 2020 de vacina contra Covid-19 da Pfizer

Governo americano reservou 100 milhões de doses por US$ 1,95 bilhão, que é toda a capacidade produtiva prevista para o ano

Por Fernando Brito 22/07/2020 - 16:12 hs

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (22) um acordo com a farmacêutica Pfizer para comprar todas as 100 milhões de doses da vacina contra Covid-19 em desenvolvimento em parceria com o laboratório alemão BioNTech. O volume é referente a toda a capacidade produtiva do conglomerado para 2020.

O acordo, que envolve o pagamento de US$ 1,95 bilhão, na prática inviabiliza que qualquer outro país tenha acesso à fórmula neste ano caso ela se prove segura e eficaz até o fim dos testes. O pagamento será realizado assim que o governo americano receber as doses.

O acerto também prevê também a possibilidade de compra de mais 500 milhões de doses. O total de 600 milhões seria suficiente para cobrir toda a população do país se forem necessárias duas aplicações para obter imunidade.

A vacina da Pfizer é uma das que está avançando rapidamente nas etapas de testes. A empresa recentemente publicou resultados bastante positivos nos estudos clínicos de fase 1 tanto em segurança quanto imunogenicidade, credenciando a pesquisa para avançar para as fases mais avançadas, com um número maior de voluntários.

Anvisa já deu permissão para que duas diferentes versões da vacina sejam testadas no Brasil como parte da fase 3 dos ensaios clínicos. Os experimentos serão realizados em São Paulo e na Bahia, mas ao contrário do que acontece com as pesquisas da universidade britânica de Oxford e da farmacêutica chinesa Sinovac, não há acordo de produção e distribuição no país.

A Pfizer, assim como a Moderna, utiliza uma técnica inédita de vacinas. Em vez de utilizar o vírus atenuado ou inativado, a empresa aposta em injetar um código RNA sintético no corpo das pessoas, que fará com que suas células manifestem a proteína "spike", utilizada pelo coronavírus para ligar-se às células e infectá-las, e o corpo se encarrega de gerar a resposta para anular as proteínas. Nos primeiros testes com humanos, a técnica mostrou-se capaz de estimular o sistema imunológico, mas apenas testes posteriores atestarão a capacidade de proteção contra o vírus. Mesmo sem comprovação, os Estados Unidos decidiram fazer o investimento pesado para garantir suas doses o mais rápido possível em caso de sucesso.

A prática tem se tornado padrão por parte do governo americano, que lançou um programa chamado Warp Speed para financiar e acelerar pesquisas de vacinas nacionais contra a Covid-19. Um exemplo aconteceu recentemente, quando a empresa Novavax recebeu um aporte de US$ 1,6 bilhão para agilizar seus estudos.

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