Eleições 2020: campanha oficial começa em 27 de setembro, 49 dias antes do voto

Passam a ser autorizados comícios e publicidade eleitoral em sites e jornais; pandemia aumenta relevância da internet e da TV

Por Fernando Brito 10/09/2020 - 15:33 hs

Eleições 2020: campanha oficial começa em 27 de setembro, 49 dias antes do voto
Eleições 2020

Em eleições municipais anteriores a 2016, o início das campanhas eleitorais era marcado por eventos de rua, comícios e carreatas. Os vereadores, que têm atuação regionalizada e eleitorado em áreas específicas da cidade, levavam os candidatos a prefeito para seus redutos. "Boa parte do convencimento era feito corpo a corpo, com cabos eleitorais. Isso fica comprometido - vai acontecer ainda, mas em escala menor", aposta o marqueteiro André Gomes.
Especialistas ouvidos pelo Estadão acreditam que a pandemia da covid-19 - que causou o adiamento de todo o calendário eleitoral no Brasil e motivou autoridades do mundo inteiro a emitir ordens de quarentena - tem o potencial de coroar a já acelerada tendência de se fazer uma campanha cada vez mais digital.
A própria Justiça Eleitoral, reconhecendo o potencial risco trazido pelos encontros presenciais, já informou que aceitará a validade de convenções partidárias virtuais para a confirmação dos candidatos. A decisão foi tomada em âmbito nacional pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que permitiu por meio da resolução 23.623 que foto ou vídeo de reunião virtual possa servir como ata da reunião exigida pela lei.
"Acho muito difícil criar aquele 'esquenta' que em que os candidatos saem pelos bairros", afirmou Gomes. "Muda a intensidade e o conteúdo da campanha: se você não tem uma presença no dia a dia que normalmente se tinha, precisa pensar em uma campanha digital e em um conteúdo que consiga disputar a atenção das pessoas na internet", acrescentou. "Em caso de necessidade de divulgação do vídeo, (será difundida) somente a parte com a anuência dos convencionais, preservando questões internas dos partidos", afirmou o ex-ministro do TSE Henrique Neves.
"A princípio vai ser presencial mas, se não der, será virtual. Estamos preparado para os dois", explicou ao Estadão o pré-candidato do Novo para a Prefeitura de São Paulo nas eleições 2020, Filipe Sabará, ex-presidente do Fundo Social de São Paulo e ex-secretário de Assistência Social da capital. Na mesma ocasião, os filiados aptos a votar vão validar o seu nome e a escolha dos números para os candidatos a vereador.
A maioria das agremiações, no entanto, ainda tem receio quanto ao novo formato. Em São Paulo, dos cinco partidos cujos diretórios municipais já têm data para a realização do evento oficial - PSDB, PC do B, PSD, Novo e Patriota - apenas os dois últimos cogitam uma convenção 100% virtual. "Vai ser como uma sessão da Câmara", afirmou o advogado, Rubens Nunes, secretário-geral do diretório municipal do Patriota. "Os convencionais entram (na videoconferência), comunicam a presença e isso é transformado em ata, com o jurídico acompanhando. Eles votam e isso também é registrado", disse. Depois, o resultado será enviado à Justiça Eleitoral.

Terra

Os estrategistas ainda vão ter que quebrar a cabeça para entender quais temas serão os mais relevantes no contexto de pandemia. "Normalmente, a campanha acontece dentro de uma agenda em que você tem alguns temas principais, como a questão da zeladoria. Mas, neste ano, essa conversa normal vai ter menos permeabilidade", argumentou Gomes. "A questão principal é o drama econômico das famílias e um cenário em que ninguém nunca viveu", completou.
No caso do PSDB e PC do B, a convenção vai ser híbrida: enquanto as autoridades discursam em uma videoconferência transmitida a todos, os convencionais vão se dirigir a locais de votação pulverizados pela cidade, onde eles vão assinar uma ata física, como nas eleições anteriores. No outro extremo está o PSD, que pretende fazer uma convenção presencial curta, seguindo todas as medidas de segurança. "A convenção vai ser presencial, com todos os protocolos (de segurança)", informou o pré-candidato do partido, Andrea Matarazzo. Campanha eleitoral diferente na era da covid-19 De acordo com o publicitário, os candidatos nas eleições 2020 terão que entrar em uma seara menos abordada nas administrações municipais. "Hoje está muito mais em pensar em como criar uma rede de proteção ao cidadão", disse.

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, coordenador da curso de administração pública da FGV-SP, o tema do coronavírus acabou, depois de um choque inicial, melhorando a imagem do prefeito Bruno Covas, apesar dele não ter uma marca da sua gestão. "Se você vai buscar uma marca de gestão Bruno, para explicar os 30% de apoio, o que você encontra? O Bruno não tem uma marca, ele resolveu investir em zeladoria agora. Mas a pandemia beneficiou a imagem dele, que passou a ser a de um líder que chama para si a responsabilidade e vai tomando decisão", argumentou o professor, acrescentando que o governo federal tem adotado o discurso do "eu não tenho nada com isso".