Maradona morre no mesmo dia de Fidel Castro, seu ídolo. O futebol está de luto

O craque que sempre foi alma e coração, foi traído por ele, depois de resistir a uma cirurgia no cérebro

Por Fernando Brito 25/11/2020 - 14:29 hs

Uma das mais brilhantes canções de Cazuza poderia ser o tema da vida de Diego Armando Maradona, se não fosse do próprio compositor: "Eu não posso causar mal nenhum, a não ser a mim mesmo, a não ser a mim." Diego Maradona castigou seu corpo, o mesmo que o consagrou ao ser seu grande instrumento de trabalho.

Maradona foi traído por um ataque cardíaco apenas três semanas depois de sair da sala de cirurgia. De os médicos dizerem que ele havia trocado um vício por outro, ao abandonar a cocaína e mergulhar no alcoolismo. Especialmente nos meses de pandemia, que lhe provocaram depressão, o álcool virou seu companheiro.

Maradona morre aos 60 anos
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Maradona morre aos 60 anos

Ele se vai de surpresa, no mesmo dia da morte de Fidel Castro, quatro anos atrás. Fidel não teve a morte surpreendente, mas renunciou ao governo de Cuba em 2008, também assim, de surpresa.

Surpreendentes eram seus dribles e gols. Em 1980, foi à linha de fundo e cruzou de letra, na cabeça de Ramon Díaz, num amistoso vencido pela Argentina por 5 x 0, em Nuñez. No ano seguinte, marcou um dos gols mais espetaculares da história do clássico contra o River, bailando e driblando Fillol debaixo de um temporal que transformava o gramado de La Bombonera num pântano. Em 1990, levou toda a defesa do Brasil e entregou a Caniggia para marcar. Em 1996, comemorou um 4 x 1 no River Plate com um beijo na boca de Caniggia.

Tudo de surpresa, como a forma como nos deixou.

Maradona provoca uma tristeza sem igual, pela saudade de seu talento e por saber que deixou a vida de modo mais breve do que deveria ser. Maradona se vai cedo e ídolo, como Gardel ou como Evita, amado por ser um humano, o mais imperfeito dos imortais do futebol.

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