Olhar Atento: Chapadão do Sul e Paraíso das Águas aplicam corretamente os recursos de combate à Covid-19? Com a palavra o Ministério Público

Por Fernando Brito 07/04/2021 - 16:20 hs

 As redes sociais estão repletas de Fakenews (notícias falsas) sobre desvios de dinheiro da Covid-19 para outros fins, até mesmo em corrupção e em licitações fraudulentas.  Está em curso uma guerra  ideológica de bolsonaristas e contrários que apostam nestas postagens pela falta de melhor argumento. Entre mentiras e verdades há sim governadores investigados, prefeitos, vereadores e empresários que se beneficiaram da maior tragédia sanitária da humanidade para ganharem dinheiro ilícito, oriundo da morte das pessoas pela pandemia de coronavirus. E em Chapadão do Sul e Paraíso das Águas? Como estão sendo aplicados os recursos federais e estaduais que chegam para o combate à Covid-19?

Sobre a aplicação dos recursos públicos  no combate à Covid-19 ou na gestão da máquina administrativa nestes dois municípios, o titular da 1ª Promotoria de Justiça, Dr Matheus Cartapatti, destacou que  acompanha - de forma preventiva - a aplicação de todo o dinheiro público destinado a  Chapadão do Sul e Paraíso das Águas. Segundo ele as duas cidades estão fazendo “o dever de casa” de forma correta na visão do Ministério Público.

Cartapatti ponderou ainda que - por hora -  não há quaisquer indícios de irregularidades que caracterizem  desvio de finalidade nas verbas destinadas ao enfrentamento do Covid-19. Desde o ano passado a 1ª Promotoria de Justiça acompanha de perto este assunto. O promotor é a autoridade do MPE responsável pelo Patrimônio Público.  

Apesar da citação positiva em relação à aplicação correta dos recursos  da Covi-19 em Chapadão do Sul e Paraiso das Águas há casos de corrupção  com pelo menos seis governadores investigados. Prefeitos, vereadores e empresários também engrossam a lista de gestores ímprobos que usam a morte de infectados pelo coronavirus para fazerem fortunas como no município de  Lagoa de Dentro, com cerca de 7 mil habitantes, no interior da Paraíba.

Em abril do ano passado - em plena pandemia - a prefeitura desembolsou R$ 15 mil em recursos do Fundo Nacional de Saúde para comprar e imprimir cartilhas informativas sobre prevenção à Covid-19, apesar de o Ministério da Saúde disponibilizar gratuitamente livretos sobre o assunto. O empresário Jandeilson Araújo Leite, dono da gráfica que celebrou o contrato com o município, recebeu a visita de uma equipe da Polícia Federal no dia seguinte.

O MOTIVO: no dia 1º de abril, ele havia firmado um contrato semelhante com a prefeitura de Aroeiras, município de 18 mil habitantes que comprou a impressão de nada menos do que 7 mil exemplares da mesma cartilha, chamada Coronavírus — O combate começa com a informação, a um custo total de R$ 279 mil. A gráfica de Leite era fantasma. As cartilhas não foram encontradas. Até o momento, o contrato com Aroeiras foi rompido, e a prefeitura foi alvo de busca e apreensão. A prefeitura de Lagoa de Dentro tampouco explicou por que optou por comprar a R$ 40 a unidade cada cartilha se podia usar as gratuitas oferecidas pelo Ministério da Saúde.

César Rodrigues/Chapadense News