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Paraíso das Águas,18/08/2022

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    Campo Grande é a capital com a maior taxa de estupro no Brasil

    Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta aumento de casos de violência contra a mulher


    Campo Grande é a capital com a maior taxa de estupro no Brasil


    Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados nesta semana apontam que Campo Grande é a capital com a maior taxa de estupro no País, com 80,2 casos a cada 100 mil habitantes. Em todo o ano passado, 735 ocorrências foram registradas no município.

    Para se ter uma ideia, capitais com densidade populacional semelhante à da Cidade Morena, como Natal (RN) e Teresina (PI), possuem uma taxa de 17,7 e 40,3 casos a cada 100 mil habitantes, respectivamente.

    Em números absolutos, Campo Grande configura como a terceira capital do Brasil que mais registrou estupros no ano passado. O número é inferior apenas a São Paulo e Rio de Janeiro, com 2.339 e 1.600 casos respectivamente em 2021.

    De 2020 para 2021, houve um crescimento de 5,6% nos casos de estupro na Capital, de 696 para 735 ocorrências. Em 2019, foram computados 673 estupros.

    Em entrevista ao Correio do Estado em março deste ano, a delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), na Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande, Elaine Benicasa, reiterou que, por ano, mais de 9 mil boletins de ocorrências (BOs) são registrados por mulheres vítimas de violência.

    Elaine esclareceu que o primeiro passo para o combate de crimes contra a mulher já foi dado por meio da Lei 11.340 – Maria da Penha.

    “Ela é um avanço irrefutável na proteção e no combate à violência contra as mulheres. Esta lei foi o primeiro passo, porém há diversas ações em todas as frentes que devem ser desenvolvidas”, salientou.

    MATO GROSSO DO SUL

    Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Mato Grosso do Sul é o décimo estado no ranking de estupros registrados em 2021, com 2.455 ocorrências registradas no ano passado.

    Apenas neste ano, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 734 crimes deste tipo aconteceram em MS, uma média de quatro casos por dia.  

    De acordo com o balanço do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em âmbito nacional, a cada 10 minutos uma menina ou uma mulher foi estuprada no Brasil em 2021, considerando apenas os casos que chegaram às autoridades policiais.

    No ano passado, foram registrados 56.098 boletins de ocorrências de estupros, incluindo vulneráveis, apenas do gênero feminino.

    Se entre 2019 e 2020, houve uma queda de 12,1% nos registros de estupro de mulheres no País, entre 2020 e 2021 houve crescimento de 3,7% no número de casos.

    PRISÃO

    A Polícia Civil concluiu o inquérito e pediu a prisão preventiva de Adriano da Silva Vieira, 38 anos. O motorista de aplicativo, que foi preso temporariamente por 30 dias no dia 9 de junho, foi indiciado por estupro, tentativa de estupro e importunação sexual contra três passageiras.

    Durante o depoimento, Adriano confessou os crimes e alegou que sempre que agia contra as mulheres estava sob efeito de pasta base de cocaína. Conforme relato das vítimas, o motorista desviava do caminho programado e circulava por locais desertos para praticar as violências.

    As duas primeiras vítimas registraram boletim de ocorrência nos dias 29 e 30 de maio. O terceiro caso foi de uma mulher de 28 anos. 

    Após solicitar a corrida por aplicativo na Rodoviária de Campo Grande e ter a rota para sua residência desviada, a vítima só conseguiu se livrar do motorista ao pular pela janela do veículo no dia 6 de junho.  

    FEMINICÍDIOS

    Dados da Sejusp apontam que cinco mulheres foram vítimas de feminicídio apenas neste ano em Campo Grande. 

    O número é 150% superior aos dois casos registrados em todo o ano passado no município e se iguala aos cinco crimes consumados em 2019. Em todo o ano de 2020, 11 feminicídios ocorreram na Capital.

    De janeiro a 29 de junho de 2022, 23 feminicídios já foram registrados em Mato Grosso do Sul. Em todo o ano passado, o Estado computou 32 vítimas. No primeiro ano de pandemia de Covid-19, 38 mulheres foram mortas em MS por serem mulheres.

    A Lei 13.104/2015 do Código Penal Brasileiro considera feminicídio o ato de matar uma mulher por razões da condição de sexo feminino, por envolver violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

    A titular da Deam relatou que a Lei do Feminicídio, de certa forma, trouxe consequências maiores e especificou o crime de violência de gênero contra as mulheres.

    “Antes, tínhamos o homicídio, e não crime com especificidade, com as elementares, destinado à vítima mulher, quando vítima de homicídio, trouxe uma qualificadora para o crime com consequências típicas e próprias para esse tipo de situação”, pontuou.

    ATENDIMENTO

    Na Capital, a Casa da Mulher Brasileira oferece um atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência doméstica. 

    A instituição, gerida pela Prefeitura de Campo Grande, em parceria com governo federal e governo do Estado, foi a primeira do País a ser implementada e é referência nacional.

    O local conta ainda com acolhimento e triagem, apoio psicossocial, Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, Juizado da 3ª Vara, Promotoria, Defensoria Pública, Serviço de Promoção de Autonomia Econômica.

    A infraestrutura também possui espaço de cuidado das crianças, brinquedoteca, alojamento de passagem, patrulha Maria da Penha e Programa Mulher Segura do Estado.

     

    COMO DENUNCIAR

    A denúncia de violência doméstica pode ser feita em qualquer delegacia, com o registro de um boletim de ocorrência, pela Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180, ou pelo 190, da Polícia Militar. A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o País.

    Por: Correio do Estado

     

     



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