Polícia Civil indicia homem que fez postagem racista em rede social

Mostrou dois macacos brigando por vaga em universidade por cota

Por Fernando Brito 09/09/2019 - 15:30 hs

A Polícia Civil de Brasilândia cumpriu um mandado de busca e apreensão, na sexta-feira (6), na casa de um morador da cidade, apontado como autor de postagens de cunho racista em uma rede social.

Conforme a Polícia Civil, o suspeito postou uma foto em uma rede social, retratando uma luta entre dois macacos, cuja imagem continha os seguintes dizeres: “Quando sobra uma vaga de cota”.

A postagem foi denunciada ao Ministério Público de São Paulo, que encaminhou o caso à Polícia Civil daquele estado que, por meio da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), obteve os dados relacionados ao IP do computador e do titular da linha telefônica utilizada para cesso à internet.

A partir dessas informações, o caso foi repassado para a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, que por intermédio da Delegacia de Polícia de Brasilândia representou pela expedição de mandado de busca e apreensão para a casa do suspeito, com o objetivo de apurar a existências de outros materiais de cunho racista armazenado em computadores ou ouras mídias.

A Justiça acolheu o pedido, que teve parecer favorável do Ministério Público, e expediu mandado de busca e apreensão domiciliar, que foi cumprido na tarde de ontem pela Polícia Civil de Brasilândia, que apreendeu um computador, um telefone celular e um pen drive do acusado.

O material apreendido será submetido a exame pericial para verificação da existência de imagens, mensagens ou qualquer tipo de menção de cunho racista ou de intolerância. “Embora a prática da infração penal já estivesse comprovada pelos prints e afastamento de sigilo telemático, a execução da busca domiciliar objetiva robustecer o conjunto probatório e, quiçá, angariar provas de outras infrações penais de mesma natureza praticadas por meio cibernético”, explica o delegado Thiago Passos, responsável pelo caso em Mato Grosso do Sul.

O suspeito foi conduzido até a Delegacia da Polícia Civil, onde foi interrogado e assumiu a autoria da postagem, contudo, negou que tivesse cunho discriminatório, tratando-se, em sua visão, de mera crítica ao sistema de cotas universitárias.

A pena para o crime de racismo, praticado na modalidade investigada no presente caso, é de 2 a 5 anos, além de multa.

A Polícia Civil esclarece que crimes dessa natureza devem ser denunciados.

Correio do Estado