Celulose provoca boom imobiliário e valor de imóveis sobe até 70% em Ribas do Rio Pardo

Terrenos passaram a valer até 70% a mais

Por Fernando Brito 31/05/2021 - 16:41 hs

Bastou o maquinário que vai construir a fábrica da Suzano chegar em solo rio-pardense para o boom imobiliário acontecer. Alugueis triplicaram e falta até terreno para quem quer investir. A valorização está calculada em até 70% o que alegra corretores, mas também traz preocupação. Com a vinda da fábrica de celulose, adeus cidade pacata de Ribas do Rio Pardo.

Agente empreendedor do setor imobiliário, Marco Teixeira tem 66 anos de vida, 38 deles passados no município. Advogado, ele já mexe há anos com o setor e viu terreno que ninguém tinha interesse em comprar saltar de R$ 30 mil para R$ 70 mil, isso de bairros mais afastados, porque na avenida principal, chamada Aureliano Moura Brandão, lote que custava R$ 400 mil subiu para pelo menos R$ 1,5 milhão. Os valores se referem a terrenos de 12x30.

"Aluguel sobrou, triplicou. Isso desde quando eles anunciaram efetivamente. Quando máquina chegou aqui, aí que subiu mesmo", diz Marco Teixeira.

O aumento de pessoas já é sentido, tanto de gente que foi para trabalhar na construção da fábrica quanto quem já chegou para investir. "Até março estava parado, se falava do negócio, mas não tinha começado ainda. Agora está todo mundo alugando, comprando. Não existe mais salão para alugar. Houve um incremento aí de 70%, explica o agente.

Corretor na Livre Linto Imóveis, Linto Vilmar Ferreira, de 63 anos, é nascido e criado na região. No dia a dia da imobiliária sentiu aumento de pelo menos 50% nos valores. "Estou no mercado há aproximadamente 30 anos, desde que vem comentando a vinda dessa fábrica, os investidores já começaram a chegar", conta.

E é gente de todo todo País. O corretor chegou a mostrar imóveis para empreendedores de Alagoas, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná. "Já vieram, compraram e vai sair muito imóvel ainda tanto para alugar quanto para vender", diz.

Para a cidade, Linto diz que financeiramente isso é ótimo, mas ele como morador vê o fim da cidade pacata. "Vai gerar emprego, vai? Mas aqui era uma cidade pacata que vai mudar totalmente o padrão de vida. A situação financeira vai melhorar, os imóveis já estão valorizando, vai ter muito emprego, mas em contrapartida como vai ficar o pessoal que mora e trabalha, o salário deles vai subir também?" questiona.
Cidade pacata e de interior vai ficar só nas lembranças dos moradores que já sentem no bolso impacto da fábrica
O corretor fala que terrenos que antes não despertavam interesse algum agora tem uma correria de investidores para a compra. "Tem a expectativa de sair um loteamento muito grande, as novas empresas estão chegando e procurando terras em Ribas. Vim até Campo Grande para agilizar novos empreendimentos, pleitear reuniões", resume Linto.

Um exemplo da correria é que a cidade, que conta com 24.966 mil habitantes, e que não tinha nenhuma cozinha industrial agora se prepara para receber a instalação de pelo menos cinco.

Fábrica - O anúncio oficial da vinda da Suzano, uma das principais indústrias do ramo da celulose no mundo, para a cidade de Ribas do Rio Pardo, distante 100 quilômetros da Capital, aconteceu no dia 12 de maio e concretizou de fato o boom imobiliário que a cidade já vinha passando.
Previsão é de que a fábrica seja ativada até 2024 ©Arquivo/Suzano
A unidade deve ter capacidade de produzir 2,3 milhões de toneladas de celulose de eucalipto por ano, sendo previsto que a fábrica deve ser ativada até março de 2024. O investimento na indústria chega a marca de 14,7 bilhões.

Batizada de 'projeto Cerrado' pela empresa, o empreendimento vai ampliar em até 20% a atual capacidade de produção de celulose da Suzano, que é de 10,9 milhões de toneladas. A empresa também espera que a fábrica em Ribas do Rio Pardo seja a unidade mais competitiva da empresa - ultrapassando a unidade de Três Lagoas.

A planta de Ribas do Rio Pardo, segundo dados divulgados pela Suzano, terá capacidade para exportar aproximadamente 180 MW médios ao sistema elétrico nacional, já que ela também será uma gerada de energia renovável, podendo ainda ser a primeira do setor no Brasil a ser considerada livre de combustível fóssil.

Empregos - Durante a construção, o empreendimento deve gerar cerca de 10 mil empregos diretos no pico da obra, além de milhares de empregos indiretos em toda a região, prevê a Suzano. Quando concluída, a nova unidade deve empregar 3 mil pessoas entre colaboradores próprios e terceiros.
Terrenos, aluguel, venda, tudo vem subindo na cidade desde o anúncio da instalação da Suzano ©Arquivo/Suzano



Fonte: Jornal do Estado MS